quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Drogas de uso Social e Suspeitas de teratogenicidade


Quimioterápicos e anti neoplásicos;

Dentre os que são bastante usados temos a Actinomicina D, o Metrotrexate, Clorambucil, Vincristina, Adriblastina - que atuam inibindo mitoses. Dentre os seus possíveis efeitos encontramos aumento na incidência de abortos, mal-formações variadas, morte fetal intra-útero, crescimento fetal intrauterino não compatível com a idade gestacional, lábio leporino, com ou sem fenda do palato, mal-formação em orelhas, dedos e alterações esqueléticas.


Hormônios androgênicos;


Podem levar à masculinização de fetos femininos, com hipertrofia do clitoris, soldadura de pequenos lábios vulvares.

Dietilestilbestrol;

Droga que foi usada para evitar abortamentos e que se relaciona com adenose vaginal e cervical e também com anomalias no trato urinário superior. É interessante notar que o período da gravidez em que houve exposição a esta droga é extremamente importante, visto que a incidência de mal-formação cai de 73% no primeiro trimestre, para 7% quando a exposição ocorre após a décima sétima semana.

Anticoagulantes Orais;

É importante observarmos esse grupo de drogas porque com circunstâncias como: próteses valvares, grandes obesas, pacientes com estase venosa importante, história pregressa de tromboembolismo, pacientes paraplégicas, vítimas de acidentes de trânsito, etc; poderão gestar na vigência destas intercorrências. Os anticoagulantes orais com os cumarínicos são antagonistas da vitamina K agindo na cascata do fenômeno da coagulação nos pontos de protrombina, nos fatores VII IX e X. Têm um efeito mais duradouro. Seus efeitos teratogênicos consistem em CIUR, atresia e aplasia nasal, alterações oculares, distrofia das unhas, hemangiomas intracranianos, aumento da morbiletalidade neonatal, retardamento mental. Especificamente na gestante, observa-se maior probabilidade de aumento de fenômenos hemorrágicos, DPP (descolamento prematuro da placenta), placenta previa (por dificuldade de implantação de blastocisto). A incidência de abortamento quando do uso de anticoagulantes orais é da ordem de 50%. Como, independente do uso de qualquer substância, a incidência de perda do produto conceptual é de 15%, pode-se atribuir aos anticoagulantes uma cifra de 35%.

Tetraciclinas;


Formam um complexo com o cálcio, levando a uma maior susceptibilidade às cáries. Pode haver um retardamento do crescimento ósseo pós-natal.

Drogas anti-tireoidianas e iodo;


As conseqüências podem ir de um hipotireoidismo com bócio compensador até cretinismo do concepto. A administração de iodo radiativo pode levar à destruição da tireóide fetal se administrado antes da décima semana de gestação.

Sais de Lítio;

Podem levar a Doença de Ebstein onde se observam alterações tricúspides como atresia e insuficiência tricúspide e miocardiopatia. Podem também produzir no feto alterações no sistema nervoso central como hipotermia, depressão respiratória e diminuição dos reflexos osteotendinosos.

Drogas suspeitas de Teratogenicidade:

Contraceptivos Orais e Progesteronas sintéticas;

Acos - não há comprovação em relação ao aumento de incidência de anomalias cardíacas. Quanto aos progestágenos sintéticos podem contribuir para surgimento de hipospádias nos fetos masculinos, masculinização de fetos femininos, hipercalcemia e icterícia colestática. Já dispomos no Brasil, felizmente, da progesterona oral micronizada, natural.

Anticonvulsivantes;


O uso do Ácido Valpróico no primeiro trimestre pode relacionar-se com espinha bífida. A trimetadiona pode relacionar-se com sobrancelhas em V, dentes irregulares, orelhas de implantação baixa e hipodesenvolvimento de concepto. A difenil-hidantoína pode levar a Síndrome da Difenil-Hidantoína que concorre com lábio leporino, com ou sem fenda do palato, anomalia cardíaca, microcefalia, dimorfismo craniofacial. Chamam especial atenção a hipoplasia das unhas e das falanges distais. Vale lembrar que o uso de sulfato de magnésio, em doses altas pode levar à hipermagnesemia, hipocalcemia, diminuição da motilidade do TGI, hipotonia muscular.

Tranqüilizantes;

Os dados quanto à teratogenicidade são controvertidos. Fala-se em aumento das anomalias cardíacas. Os benzodiazepínicos, no primeiro trimestre têm sido associados a um possível aumento da incidência de lábio leporino. Próximos do termo da gestação podem levar a hipotonia muscular, hipotermia depressão respiratória e choro fraco.

Vitaminas;

São muitas vezes até usadas de forma indiscriminada na gravidez com o bom fito de produzir super-bebês. Entretanto lembramos que o único elemento indispensável é o Ferro e que o uso de complexos vitamínicos para gestantes têm o seu uso indicado a partir da décima oitava semana.

Diuréticos;

Seu uso deve ser judicioso. Nossa opinião é que raramente, muito raramente serão necessários. Diminuem o fluxo útero-placentário por diminuir no compartimento vascular o sódio e a água. Aumentam os níveis de acido úrico dificultando a avaliação de possível DHEG; atravessam facilmente a placenta, podem levar a aumento das bilirrubinas totais, trombocitopenia, pancreatite hemorrágica.

Antiinflamatórios;

Daremos ênfase ao uso dos antiinflamatórios não esteróides que são largamente utilizados em nosso meio, inclusive com alto índice de auto-medicação. Já foram usados em obstetrícia, (indometacina) na inibição do parto prematuro. Basicamente sua forma de ação é a nível da enzima ciclo-oxigenase, inibindo-a, levando a inibição da síntese das prostaglandinas (PGE 2 e PGF 2alfa). Sabemos que a contratilidade uterina é mediada também pelas prostaglandinas. Nas gestantes podem exercer os efeitos já mencionados além daqueles que podem advir da anti-agregação plaquetária. No feto podem levar ao fechamento do ducto arterioso, à diminuição da função renal, icterícia neonatal e enterocolite necrotizante. Talvez esteja relacionado também a atresia de esôfago.

Anestésicos;


Trabalhos feitos na antiga URSS e Dinamarca no final dos anos 70 mostraram índices aumentados de abortamento, especialmente às expostas aos anestésicos do grupo dos halogenados.

Analgésicos brandos;


Trata-se da droga mais usada mundialmente. Calcula-se que aproximadamente 1/3 de todas as gestantes usam a aspirina em algum período da gravidez, mesmo sem o saber. A aspirina também atua inibindo a síntese de prostaglandina só que, em relação a inativação da enzima ciclo-oxigenase é irreversível. Causa aumento da incidência de gravidez prolongada, aumento de sangramento no terceiro e quarto períodos do parto de parto arrastado. Em relação ao feto, observamos um aumento de mortalidade perinatal, com CIUR, hemorragia intracraniana, aumento de sangramento no cordão umbilical, fechamento do ducto arterioso, precocemente (cujo fechamento fisiológico se dá mediado por aumento dos níveis de O2 no sangue e de prostaglandina). Pode também ocorrer o Kernicterus, porque compete com as bilirrubinas pela conjugação às proteínas.

Acetaminofem:


É atualmente o analgésico brando mais prescrito no ciclo gestatório. Não há qualquer evidência de teratogenicidade. A inativação enzimática (ciclo-oxigenase) é reversível. Não há, nas doses usuais, indícios de toxicidade para o feto. Entretanto, em altas doses, pode ocorrer hepatotoxicidade.

Analgésicos Centrais

Codeína:

É teratogênica. Seu uso tem sido associado a um aumento de 4% na incidência de lábio leporino com ou sem fenda do palato. Seu uso constante no ciclo gestatório pode induzir à síndrome de abstinência do RN. Como comentário, vale lembrar que, de fato, os analgésicos são raramente imprescindíveis. Devemos lançar mão, sempre que possível, de medidas não farmacológicas e, quando realmente indicados, nos dias atuais, optar pelo Acetaminofem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário